Nosso desempenho depende diretamente da confiança no futuro

diz Sergio Habib, presidente da JAC Motors, marca chinesa de automóveis que já teve 70 revendas no Brasil e fechou metade delas nos últimos dois anos. “Se o consumidor julgar que sua vida financeira estará melhor em 2016, ele vai trocar de carro, e é por isso que as vendas de veículos novos estão 20% abaixo das do ano passado.”

Preveem retração da economia neste ano 88% dos entrevistados, sendo que 47% esperam recuo na faixa de 1% a 2%. Para a maioria, o quadro melhora bem pouco em 2016: 58% apontam um crescimento de no máximo 1 ponto e 13% se preparam para mais recessão.

Mas, ainda que prevejam dias difíceis para o país, muitos executivos mantêm a confiança no desempenho dos negócios. Nada menos que 60% acreditam em crescimento das receitas neste ano e, para 2016, a proporção sobe para 92%. É um aparente contrassenso, mas também ajuda a explicar o estado de espírito do mundo corporativo.

“Mesmo que vejam um cenário ruim para a economia, as empresas estão esperando algum sinal de que o tempo vai começar a melhorar”, diz Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim. “Os cortes não deixam de ser o passo anterior de uma retomada.” De todo modo, até que a maré comece de fato a virar, governo e empresas ainda têm muito a fazer.